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Conselho Regional de Psicologia Santa Catarina - 12ª Região



GT Psicologia do Esporte


O CRP12 criou em 2013 o GT Psicologia do Esporte, com o intuito de acolher propostas de aprimoramento profissional, em parceria com instituições afins, para que possam incentivar a realização de eventos, seminários, encontros, simpósios na área de Psicologia do Esporte, de modo a dar visibilidade a área e desenvolver a atuação do psicólogo do esporte nos diversos campos de trabalho, e, ainda, esclarecer aos psicólogos e à sociedade os princípios éticos norteadores da profissão.

Objetivos:

  • Conhecer o desenvolvimento das práticas em Psicologia do Esporte em Santa Catarina;
  • Discutir as possibilidades de atuação dos Psicólogos diante das demandas e desafios encontrados na área;
  • Integrar psicólogos, estudantes e profissionais do Esporte que atuam e que pretendem atuar na Psicologia do Esporte em SC;
  • Reunir subsídios para proposição de políticas públicas na área do esporte;
  • Organizar uma rede de profissionais de Psicólogos no Esporte em SC.

E-mail: fabricio.raupp@crpsc.org.br

Conselheiro(as) e Colaboradoras(es) do GT Psicologia do Esporte:

Conselheiro Coordenador:

Fabricio Antônio Raupp, CRP 12/08012

Membro(s):

Rodrigo Moraes Kruel, CRP 12/02654


Psicologia do Esporte

Psicologia do Esporte e do Exercício é o ramo da Psicologia no qual ocorre “a aplicação e desenvolvimento da teoria psicológica para o entendimento e intensificação do comportamento humano no ambiente esportivo (VANDENBOS, 2010, p. 759). Ou seja, investiga e analisa o efeitos dos aspectos psíquicos antes, durante e após o evento esportivo e ou a prática do exercício, buscando entender como fatores psicológicos afetam o desempenho físico dos atletas, e como a participação em esportes e exercícios pode afetar o desenvolvimento psicológico, a saúde e o bem-estar dos indivíduos (WEINBERG & GOULD, 2011).

O esporte consiste num amplo rol de ações humanas praticadas de forma profissional ou amadora, contendo: a) preparação sistemática para aprimoramento de desempenho, com fins competitivos ou de superação; b) regras e regulamentos claramente definidos; c) e instituições que organizam e balizam as atuações dos praticantes, normalmente nomeadas de confederações e federações (TUBINO, 1993). Este autor classifica as atividades esportivas em esporte educacional, esporte de participação e esporte de rendimento. É dentro deste contexto geral, que também engloba as modalidades paradesportivas, que a Psicologia se insere, quer como campo de produção de conhecimento, ou como área de intervenção, uma vez que processos psicológicos permeiam todas as práticas esportivas. O esporte-educação, também chamado de esporte escolar, prima pelo exercício da cidadania, no sentido do desenvolvimento de cooperação, responsabilidade, coeducação e integração, sendo praticado predominantemente na infância e na adolescência, e sem ênfase competitiva (TUBINO, 1993). Neste contexto, a Psicologia procura analisar e potencializar processos de educacionais e de socialização (WEINBERG & GOULD, 2011).

A Educação Física Escolar deveria buscar o desenvolvimento de continuidade de adoção de estilos de vida fisicamente mais ativos e promotores de saúde, pelos educandos (GUEDES, 1999). Neste cenário, as ações de psicólogos podem se concentrar em orientações psicopedagógicas a professores de educação física para aprimoramento das condições motivacionais para suas práticas, facilitação de comunicação entre professores e alunos, e facilitação de aprendizagens. O esporte de participação, ou esporte recreativo, envolve atividades de lazer nas quais os praticantes não precisam ser submetidos a regras institucionais. Quando bem praticado, promove a saúde e o bem-estar, por meio de atividades lúdicas e prazerosas, que podem desenvolver as relações interpessoais (TUBINO, 1993). Este também pode ser chamado de Esporte-Saúde.

A Psicologia do Esporte e do exercício, neste contexto, tem como função analisar o comportamento recreativo de grupos de diferentes faixas etárias, classes socioeconômicas e atuações profissionais em relação a diferentes motivos, interesses e atitudes (WEINBERG & GOULD, 2011). Psicólogos podem atuar para facilitar a manutenção da adesão dos praticantes a estilos de vida mais ativos e promotores de saúde, por meio de geração de atividades automotivacionais, assim como para desenvolvimento de processos de compreensão, pelos praticantes, de relações entre a adoção destes estilos de vida promotores de saúde e melhora de qualidade de vida e de bem estar subjetivo.

Tanto o esporte educacional quanto o de participação aproximam as teorias e as práticas psicológicas das necessidades de saúde da população, uma vez que os estilos de vida sedentários se associam a redução de expectativa de vida (WHO, 2010), e, de outro lado, a prática regular de exercícios físicos, quando bem realizada, pode ser, por exemplo, relacionada ao desenvolvimento de autonomia funcional (RODRIGUES at al, 2010), à redução de sintomas depressivos (FERREIRA, et al., 2014) e a melhora na qualidade de vida.

Na prática esportiva voltada para promoção de saúde, são desenvolvidos e aplicados programas psicológicos para prevenção de doenças, conscientização da necessidade de estilos de vida saudáveis, terapia estimulando o uso do exercício físico para tratamento da ansiedade, depressão e outras condições emocionais, assim como, a reabilitação para pessoas portadoras de limitações físicas, mentais e sociais (WEINBERG & GOULD, 2011). O esporte de rendimento é o mais visado por psicólogos e por profissionais que focam no esporte, e se caracteriza por seu alto nível competitivo. Ele envolve rotinas de preparação para evolução de desempenho, regras rígidas que determinam como ele é disputado, e normalmente é fortemente institucionalizado por federações e confederações que regulam suas práticas (TUBINO, 1993). Aqui, a Psicologia do Esporte, tem como objetivos analisar e melhorar os fatores psíquicos determinantes do rendimento, tanto em treinamentos quanto em competições, e otimizar os processos de recuperação após lesões (NUNES et al., 2010; WEINBERG & GOULD, 2011). No esporte de rendimento, o psicólogo pode trabalhar inserido na Comissão Técnica, de forma interdisciplinar, ou em consultoria, de forma multiprofissional. No primeiro caso, atua diretamente com a equipe, em seus cotidianos de treinamento ou de competição. No segundo, atua externamente, em seu consultório articular, ou ainda, em uma sala reservada, na própria sede do clube esportivo, porém com pouco contato direto com as rotinas dos atletas e da comissão. No caso da inserção em comissões técnicas, o psicólogo pode atuar diretamente sobre a seleção de atletas, a periodização das ações de treinamento, as definições dos objetivos das sessões de treinamento, assim como a definição dos objetivos de desempenho e de resultados a serem alcançados em competições. Atuando em consultoria, normalmente suas ações são voltadas às demandas apresentadas pelos atletas ou comissões. Quando possível, o modelo interdisciplinar possibilita maior inserção do profissional às rotinas de preparação e competição, por estar presente na quadra, no campo, na pista, ou nos outros locais onde ocorram as atividades esportivas.

Além disso, quando bem trabalhado, o modelo interdisciplinar facilita a formação de vínculos de confiança dos atletas e dos demais membros da comissão com o psicólogo, o que acelera o recebimento de demandas e suas resoluções. Adicionalmente, por estar presente e poder observar as diversas ações dos membros da equipe em competições e treinamento, o psicólogo pode identificar necessidades de intervenção. As ações dos psicólogos do esporte podem ser concentradas em: a) Desenvolvimento dos níveis motivacionais para aprimoramento das sessões de atividades físicas, dos treinamentos e das competições; b) Regulação dos focos de atenção e de concentração; c) Regulação emocional e dos níveis de ativação; d) Desenvolvimento de habilidades de autoavaliação e de avaliação esportiva de atletas; e) Facilitação de processos de comunicação funcional entre os membros de equipes esportivas; f) Desenvolvimento de compreensão de táticas de jogo, por atletas jovens; g) Aumento de habilidades de resolução de problemas e de tomada de decisões; h) Consolidação de autoconfiança para alcance de objetivos esportivos realistas; i) Seleção de atletas; j) ou ainda, busca de equilíbrio psicológico nos ajustes entre atletas que possuem funções complementares, isto é, em esportes coletivos, identificação dos atletas que, por suas características de personalidade, podem melhorar ou prejudicar os padrões de jogo da equipe ao jogarem juntos, o que ocorre, por exemplo, quando a máxima eficiência tática de uma equipe é conseguida quando ela mescla atletas de definição com atletas de articulação.

A premissa básica para que um psicólogo seja bem sucedido no campo da Psicologia do Esporte é que desenvolva o máximo conhecimento possível sobre Treinamento Esportivo, Aprendizagem Motora, Fisiologia do Esporte, e, mais especificamente, conhecimento sobre a modalidade esportiva na qual atuará. No caso de trabalhar com categorias de base, isto é, atletas que ainda não são adultos, o psicólogo também precisará dominar os campos teóricos do crescimento e do desenvolvimento humano. Por fim, há consideráveis evidências científicas e empíricas de que a preparação psicológica influencia diretamente nos níveis de desempenho de atletas e de equipes, o que ocorre por que os processos psicológicos permeiam todas as ações esportivas. Diante de equipes de níveis similares, a preparação psicológica prévia pode ser o diferencial do rendimento esportivo (BIZZOCCHI, 2008). Neste sentido, psicólogos hoje atuam em muitas equipes esportivas, mas o cenário esportivo continua sendo um importante campo de atuação profissional a ser mais ocupado por psicólogos.

Referências

BIZZOCCHI, Carlos. O voleibol de alto nível: da iniciação à competição. 3. ed. Barueri, SP : Manole, 2008. xvi, 328p, il. FERREIRA, Lilian et al. Avaliação dos níveis de depressão em idosos praticantes de diferentes exercícios físicos. ConScientiae, v. 13, n. 3, p. 405-410. 2014.

GUEDES, Dartagnan Pinto. Educação para a saúde mediante programas de Educação Física escolar. Motriz, v. 5, n. 1, p. 10-14, 1999.

NUNES, Carlos Roberto de Oliveira et al. Processos e intervenções psicológicas em atletas lesionados e em reabilitação. Revista Brasileira de Psicologia do Esporte, v.3, n. 1, p. 130-146, 2010.

RODRIGUES, Brena Guedes de Siqueira et al. Autonomia funcional de idosas praticantes de Pilates. Fisioterapia e Pesquisa, São Paulo, v. 17, n. 4, p. 300-305, out./dez. 2010.

TUBINO, Manuel José Gomes. O que é Esporte. São Paulo: Brasiliense, 1993.

VANDENBOS, Gary R. Dicionário de psicologia da APA. Porto Alegre: Artmed, 2010.

WEINBERG, Robert S.; GOULD, Daniel. Foundations of Sport and Exercise Psychology, 6ed. Champain, IL: Human Kinectics, 2011.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Recomendaciones mundiales sobre actividad física para la salud. Geneva: WHO Library Cataloguing- in-Publication Data, 2010.

Fonte: Conselho Regional de Psicologia 12° Região. Revista Psicologia em Movimento. N. 06 – Gestão 2013/2016, Jan./Fev. 2016.