Nota de pesar pelo falecimento de Neide Castanha

O CRP-12 recebeu com muito pesar a notícia do falecimento da assistente social Neide Castanha, coordenadora do Comitê Nacional de Enfrentamento a Violência e Exploração Sexual Infanto-juvenil desde 2004. Idealizadora do disque 100 e de outras frentes como articulação dos Estados neste combate, Neide sofreu uma parada cardíaca na terça-feira (26).




Neide formou-se pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Especialista em políticas públicas e direitos da criança e do adolescente. Teve intensa participação na aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente e foi grande articuladora da sociedade civil e da construção de uma rede nacional de enfrentamento à violência sexual. Parceira do Sistema Conselhos, participou do Seminário Nacional Escuta de Crianças e Adolescentes Envolvidos em Situação de Violência e a Rede de Proteção, em agosto de 2009.

Amiga, mãe, companheira, guerreira, Neide nasceu no dia 20 de fevereiro de 1953, em Januária (MG). Seu primeiro trabalho na área foi realizado durante a faculdade de Serviço Social, com meninas de rua da Praça da Sé, no centro de São Paulo. Entre muitas ações, destacou-se na mobilização nacional para aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou a violência e as redes de exploração sexual de crianças e adolescentes em 2003 e 2004. Em 2008, ajudou a organizar o 3º Congresso Mundial de Enfrentamento à Violência Sexual, no Rio de Janeiro, no qual lideranças do mundo inteiro debateram o tema.
Foi vencedora do Prêmio Cláudia 2009 na categoria Trabalho Social, uma iniciativa da Revista Cláudia, da Editora Abril, que visa reconhecer a atuação e a luta de mulheres brasileiras em suas áreas de atuação. Em 2008, foi agraciada pelo Congresso Nacional com o prêmio Bertha Lutz, destinado a cinco personalidades femininas que prestaram relevante serviço na garantia dos direitos femininos e em questões de gênero. Naquele ano foram 55 as indicações.
Neide sempre acreditou e atuou no movimento social, espaço de luta legítima pelos direitos humanos e pela conquista de dignidade para todas as pessoas, militância que construiu com sabedoria, responsabilidade e compromisso. Para cada um de nós, permanece um legado de uma mulher brasileira que lutou de forma intransigente para a construção de um país e de um mundo melhor.